quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Perfeição


Vamos celebrar
A estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja
De assassinos
Covardes, estupradores
E ladrões...


Vamos celebrar
A estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso estado que não é nação...

Celebrar a juventude sem escolas
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião...


Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade...

Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta
De hospitais...


Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras
E seqüestros...


Nosso castelo
De cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia
E toda a afetação

Todo roubo e toda indiferença
Vamos celebrar epidemias
É a festa da torcida campeã...


Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar o coração...


Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado
De absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal

Vamos cantar juntos
O hino nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
Comemorar a nossa solidão...


Vamos festejar a inveja
A intolerância
A incompreensão

Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente
A vida inteira
E agora não tem mais
Direito a nada...


Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta
De bom senso
Nosso descaso por educação

Vamos celebrar o horror
De tudo isto
Com festa, velório e caixão
Tá tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou
Essa canção...


Venha!
Meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão

Venha!
O amor tem se
mpre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça

Venha!
Que o que vem é Perfeição!...

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

18 de Janeiro de 2011. Estação da Sé: EU ESTIVE LÁ!



        
  Tudo ocorreu bem nos dois primeiros dias da segunda fase do vestibular da Unicamp,e estávamos crentes de que no terceiro e último dia também seria assim...
            Ao sairmos da faculdade,nos dirigimos à estação da rua Vergueiro,e de lá fomos até a estação da Luz...e foi onde tudo começou...
            Nos informaram que a linha 11 da CPTM, que se dirige a Guaianazes,não estava funcionando,e nos aconselharam a voltar de metrô até a estação da Sé,que de lá eles nos informariam da situação.
            Chegando à Sé,fomos informados de que os trens estavam trafegando com velocidade reduzida,e estavam saindo das estações do Brás,Tatuapé e Corinthians Itaquera,devido a isso,todos estavam se dirigindo ao metrô para chegarem a essas estações.
            Prestaram atenção no que eu disse? TODOS ESTAVAM SE DIRIGINDO AO METRÔ! Todas aquelas centenas de pessoas!
            Uma vez no meio da multidão,fomos levados por ela! Alguns se revoltaram e fizeram até grito de guerra,era mais ou menos assim “ puta que pariu,o metrô é o lixo do Brasil”,houve alguns tumultos,outros passaram mal,...
            Naquele calor insuportável,levantávamos à cabeça tentando encontrar um pouco de oxigênio no meio à aquele caos.
            Quando um metrô parava,mesmo estando lotado,a multidão desafiava uma lei da física,na qual diz que dois corpos jamais seriam capazes de ocupar o mesmo espaço.
            Era mais que um empurra-empurra,era uma tentativa desesperada de tentar sair dali,era uma mistura de revolta com cansaço,que os faziam agir daquela maneira,como animais enlouquecidos.
            Depois de várias tentativas frustradas,conseguimos entrar em um,mas não sem sacrifício,nos machucamos muito tentando cruzar a porta.
            Aparentemente a situação não podia ficar pior...engano meu! Como diria Marphy,nada está tão ruim que não possa piorar...
            O Metrô parou no meio do caminho,e pediram para nos retirarmos dele.
            Ficamos na estação Pedro II,um bom tempo,pois todos os outros metrôs que chegavam,estavam tão lotados quanto aquele que descemos.
            Depois de uma longa espera,conseguimos embarcar.
            Nos dirigimos a Corinthians Itaquera,uma das estações sugeridas para pegarmos o trem.
            Ao chegarmos lá,havia uma pequena multidão à nossa frente,que aparentemente estavam tentando passar para o embarque dos trens sem pagar,e para a nossa surpresa,os trens não estavam funcionando por lá.A revolta aumentou,começaram a bater nas luzes com guarda-chuvas,ofender aos funcionários...nisso eis que eu me viro para trás,e vejo vários policiais armados,peço para os meus dois amigos,que estavam ao meu lado,para que olhem também,Mateus e Arthur.
            Os PMs foram até a frente de todos,não conseguíamos ver o que estava acontecendo,mais sabíamos que coisa boa não era.
            Ouvi um barulho parecendo um tiro, e me afastei um pouco,meus amigos vieram até mim,e disseram que era a batida do guarda-chuva na lâmpada.
            Ouvi novamente outro barulho se assemelhando a um tiro,me afastei mais e comecei a chorar,disseram que era a multidão revoltada destruindo algo. E que não deveríamos ter medo de policias.
            De repente,todos começaram a correr,vimos os policiais atirando em tudo que aparecesse na frente deles,lançando bombas de gás lacrimogêneo,...
            Começamos a correr,sem saber para onde,subimos umas escadas e entramos no primeiro metrô que vimos,sem ao menos saber para onde ele ia.
            Lá dentro começamos a sentir os efeitos do gás,ao respirarmos tínhamos a impressão de estar engolindo fogo,queimava muito,como se estivéssemos bebendo caldo de pimenta.
            Estávamos até pensando na hipótese de dormir na estação,pegar um ônibus rodoviário,e voltar para casa apenas de manhã.
            Felizmente o metrô que pegamos ia para direção de Tatuapé.
            Chegando lá,nós fomos perguntar para um funcionário como poderíamos chegar a Guaianazes,ele perguntou para onde nós queríamos ir,e disse que seria melhor nós pegarmos um trem em direção à Calmon Viana,e de lá,nos dirigirmos à Mogi.
            As coisas estavam começando a dar certo,até que...os funcionários começaram a pedir para que as outras pessoas também dessem preferência a esse caminho. E eis que nossa paz acaba.Resolvemos adotar a política do “THIS IS SPARTA”,e entramos no trem seguinte...em Calmon pegamos o trem que vinha para Mogi...
            Quando conseguimos sentar,um se encostou no outro.Estávamos cansados,revoltados,bravos,com raiva da maldita administração de São Paulo,mas estávamos indo para casa...

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Como se fosse um conto de fadas...

Capítulo I


            Era uma vez uma pequena garota,que sonhava ter o mundo na palma das mãos,era bem jovem,e demonstrava isso mesmo,mas em seu interior,ela sempre foi uma guerreira,sempre soube das conseqüências que a vida lhe traria,e das dores que ela já lhe trouxe...
            Muito nova perdeu seu pai,e sua mãe lutou contra tudo que foi necessário para conseguir criá-la,lutou contra o medo de ficar sem a proteção de seu marido,lutou contra as pessoas que queriam que ela abandonasse sua filha,lutou contra todas as dificuldades que apareceram...
            A pequena garota passou a ser muito amada pela família,sendo vista como uma princesinha.
            Ela morava ao lado da casa de seus avós,num distante sítio,onde ela acreditava ter a vida perfeita,seus avós eram muito carinhosos.Seu avô era corajoso e divertido,e adorava ter a companhia de sua neta em alguma tarefa;sua avó era bondosa e sábia,sempre tendo muitas histórias para contar.
            Nos finais de semana e feriados,seus tios vinham visitá-los,trazendo seus filhos,primos de nossa princesinha...
            Eles se divertiam tanto!Acreditavam ser guerreiros,se metiam em grandes aventuras,grandes enrascadas e foram apelidados pelo avô de “levados dos trinta”,não me pergunte o porque desse apelido,nunca tive qualquer satisfação sobre esse quesito!
            Num belo dia de Outono,quando a princesinha estava voltando da escola,sua mãe estava indo ao seu encontro com uma expressão perturbadora...
            Aos se encontrarem, sua mãe apenas lhe diz: -Corre! Seu avô está morrendo...
            E a pequena princesa correu,mais do que suas pernas eram capazes!
            Chegando ao sítio,seu avô estava deitado numa cama,sua avó ao lado dele, e todos os seus primos chorando em volta...
            Ele estava com a mesma expressão serena que sempre tivera,e não demonstrava estar sentindo dor...
           Mas esse dia se tornará a ferida mais profunda no coração de nossa pequena garota,pois foi o dia em que ela se sentiu inútil,o dia em que percebeu que de nada adiantava seus sonhos,seus planos...nada poderia salvar a vida de seu avô...e aprendeu que uma das maiores dores que existem no mundo,é ver uma das pessoas que você mais ama morrendo,e não poder fazer nada...ser completamente inútil...

(deixarei a continuação da história para outro dia,em respeito a dor do luto de nossa princesa.)