terça-feira, 27 de setembro de 2011

Carta aos jovens




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Precisamos de Santos sem véu ou batina.
Precisamos de Santos de calças jeans e tênis.
Precisamos de Santos que vão ao cinema,
Ouvem música e passeiam com os amigos.
Precisamos de Santos que coloquem Deus em primeiro lugar,
Mas que se "lascam" na faculdade.
Precisamos de Santos que tenham tempo todo dia para rezar
E que saibam namorar na pureza e castidade,
               Ou que consagrem sua castidade.
Precisamos de Santos modernos,
Santos do século XXI
Com uma espiritualidade inserida em nosso tempo.
Precisamos de Santos comprometidos com os pobres
E as necessárias mudanças sociais.
Precisamos de Santos que vivam no mundo
Se santifiquem no mundo,
Que não tenham medo de viver no mundo.
Precisamos de Santos que bebam Coca-Cola
E comam hot dog, que usem jeans,
Que sejam internautas, que escutem dis man.
Precisamos de Santos que amem a Eucaristia
E que não tenham vergonha de tomar um refri
Ou comer pizza no fim de semana com os amigos.
Precisamos de Santos que gostem de cinema,
De teatro, de música, de dança, de esporte.
Precisamos de Santos sociáveis,
Abertos, normais, amigos, alegres,
Companheiros.
“Precisamos de Santos que estejam no mundo;
E saibam saborear as coisas puras e boas do mundo
Mas que não sejam mundanos"

João Paulo II

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Como minha vó dizia...





A vida no sertão
Era uma lição.
As criança aprendia,
Desde pequena
A ter esperança no hoje
Porque do amanhã...
Pouco se sabia.

A seca era dura.
A estiagem,
Nossa companheira!
Nosso maior sonho?
Uma chuvinha,
Mesmo sendo passageira.

A vida no sertão,
Era que nem dos ciganos.
Andávamos todos os dias
Nos mudando para novos enganos.

Meu menino só dizia
Que jagunço igual ao pai,
Seria.

Pobre garoto!
Foi-se antes de concretizar
O que queria.

No sertão a fome é rija
E os sonhos,
Utopia.

Viemos para São Paulo
Buscando melhores dias.
E deixamos para trás
O meu sertão,
No interior da Bahia.


sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Começar de novo.





Voltar a estudar, resolver mudar para a profissão dos seus sonhos, não necessariamente a mais lucrativa, sair da segurança da casa dos pais e passar a escrever a sua própria história...
Tantos meios de se recomeçar a vida.

O engraçado é o ‘começar' uma relação.

Sabe quando você sente em cada artéria, em cada veia, o sangue a acelerar sua velocidade e percorrer todo o nosso corpo na metade do tempo que normalmente levaria? Sem estar correndo, ou fazendo outra atividade física... Apenas a observar alguém se aproximar.

Sim! Alguém! E me permitam dizer, um alguém inigualável!

Poucas são às vezes na vida em que sentimos plena certeza de algo. E confesso, nem mesmo eu havia experimentado tamanho sentimento.
Talvez o problema desse ‘começar’ seja a insegurança. Estamos tão acostumados a cair, que esperamos sempre o próximo tombo. Quando tudo está dando certo, paramos e concluímos: “há algo errado!”.

Será de natureza humana esse medo? Ou a natureza nada tem a ver com isso e seja apenas mais um dos neuróticos problemas da humanidade?

Uma coisa é fato! Oh Amor... Amor... Amor! Tendes angustiado muitos poetas, que buscam em ti significados. E essa busca os levam a um lado empírico, pois não devem se preocupar com o significado dos sentimentos, como o próprio nome diz, ele deve ser sentido,  não traduzido ou compreendido.

A um poeta em especial, o ‘alguém’ a quem tanto anseio, peço-lhe paciência. Pois se tu estás a aprender a amar, eu também estou. Como digo, desta vida, sou apenas uma reles aprendiz.



A essa palavra ‘Amor’, informo-lhe que das vezes em que eu a proferi inocentemente, jamais encontrei significado. Mas ao seu lado, descobri nela um sentido, uma beleza avassaladora, uma vontade grandiosa de ser... EU! E estar com você.
Meu poeta não me importa se queres se tornar um nobre ou um camponês. Encorajar-te-ei!  Para que realizes todos os seus sonhos. Deus me permita poder sempre ajuda-lo.
Os meus sonhos? Encontrá-lo era o mais secreto deles. Os demais, são planos!
Como todos, tenho medo. Mas por você, resolvi recomeçar. Pois tens me dado força para enfrentar essa grande luta chamada vida. O calor de seus braços me transmite segurança, e seu olhar... O olhar, espelho da alma! Vejo-me através dele.

“Já não há mais talvez...”

Apenas espero que não me deixes morrer no mar para salvar seus versos.

“Agora eu sei, exatamente o que fazer, vou recomeçar! Poder contar com você!”
Chorão.
 
Aos temerosos, ousem! Pois cautela não é sinônimo de covardia.

“Um novo caminho, uma história, dessa vez, escrita por cada um de nós.”

Não faça de sua vida um rascunho, pois não poderá passá-la a limpo!

Covarde não é aquele que chora por amor... E sim aquele que não ama por medo de chorar!

Agora chega de clichês. E vamos apenas...
#Recomeçar!


terça-feira, 13 de setembro de 2011

Que será,será!




When I was just a little girl,
I asked my mother, 'What will I be?
Will I be pretty?
Will I be rich?
Here's what she said to me:

Que Sera Sera,
what ever will be, will be;
The future`s not ours to see.
Que Sera Sera,
What will be, will be

When I grew up and fell in love,
I asked my sweetheart, what lies ahead,
will we have rainbows
day after day?
Here´s what my sweetheart said:

que sera, sera,
whatever wil be, will be
the future's not ours to see.
que sera, sera,
what will be; will be

Now I have children of my own
they ask their mother what will I be
will I be handsome?
will i be rich?
I tell them tenderly

que sera, sera,
whatever will be, will be;
the future's not ours to see.
que sera, sera,
what will be, will be.

Que sera, sera

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Da Reflexão dos Justos.





Foi trabalhar para todos,
E vede o que lhe acontece!
Daqueles a quem o servia,
Já nenhum mais o conhece!
Quando a desgraça é profunda,
Que amigo se compadece?

Tanta serra cavalgada,
Tanto palude vencido,
Tanta ronda perigosa em sertão desconhecido!
E agora, um simples alferes louco,
Sozinho e perdido.

Talvez chore na masmorra,
Que o chorar não é fraqueza!
Talvez se lembre dos sócios desta malograda empresa!
Por eles principalmente,
Suspirará de tristeza.

Sábios, ilustres, ardentes...
Quando tudo era esperança!
E agora...
Tão deslembrados, até de sua aliança.
Também a memória sofre,
E o heroísmo também cansa.

Não choram somente os fracos!
Um dia o mais destemido e forte,
Se pergunta,
Contemplando a humana sorte,
Se aqueles por quem morremos,
Merecerão a nossa morte.


Foi trabalhar para todos...
Mas, por ele, quem trabalha?
Tombado fica seu corpo,
nessa esquisita batalha.
Suas ações e seu nome,
por onde a glória se espalha?


Ambição gera injustiça.
Injustiça, covardia.
Dos heróis martirizados
nunca se esquece a agonia.
Por horror ao sofrimento,
ao valor se renuncia.

E a sombra de exemplos graves,
Nascem gerações opressas.
Quem se mata em sonho, esforço,
Mistérios, vigílias, pressas?
Quem confia nos amigos?
Quem acredita em promessas?

Que tempos medonhos chegam!
Depois de tão dura prova?!
Quem vai saber no futuro,
O que se aprova ou reprova?!
De que alma será feita,
Essa humanidade nova?

(Cecília Meireles)



O que é Estilo?



Esses dias me perguntaram o que é estilo. Como nem sempre possuo uma resposta na ponta da língua, pedi um tempo para formar minha opinião, e posteriormente, dar uma resposta.

Bem, segundo o meu ver:

Estilo é o que faz de você único. É o seu modo de dizer ao mundo “Sou Singular”.
Por isso mesmo, o estilo é mais do que uma maneira de se vestir: é um modo de ser, de viver e de agir. São suas escolhas particulares, suas preferências, desejos, humores e até mesmo suas fantasias. Estilo são os modos, não as modas e os modismos.
 A moda é uma proposta da indústria. O estilo é uma escolha pessoal.
Embora possa parecer estranho, na verdade o estilo não tem muito a ver com a moda. Ela passa, o estilo permanece.
Como disse uma vez o estilista italiano Giorgio Armani – “O estilo está acima da moda. Usa suas ideias e sugestões sem aceita-las todas. Um homem ou uma mulher de estilo jamais modificam radicalmente seu jeito de se vestir em função da moda”.
Diante de tantas e tão variadas ofertas da moda, o estilo entra e se impõe. Faz suas escolhas, elege alguns itens, dispensa outros. Seleciona, separa, organiza, até ficar com o que combina com os seus traços – resgata apenas aquilo que se parece com ele.
Mas ter estilo não se resume no ato de escolha. Tem de ser uma escolha proposital, informada, precisa. Senão, qualquer um teria estilo. Afinal, todos escolhem, de uma forma ou de outra, como vão se vestir, como vão se apresentar, sua maneira de viver...
Ora, mas é justamente neste ‘de uma forma ou de outra’ que está a diferença!
Mais do que o ato de escolher, quem tem estilo faz um depoimento de si mesmo, com nitidez.

“Como as Mulheres são lindas!
Inútil pensar que é do vestido...”
Manuel Bandeira.


quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Lenda Árabe.







Diz uma lenda árabe que dois amigos viajavam pelo deserto e, em um determinado ponto da viagem, discutiram e um deu uma bofetada no outro.

O outro, ofendido, sem nada poder fazer, escreveu na areia:


Hoje meu melhor amigo me deu uma bofetada no rosto.

Seguiram adiante e chegaram a um oásis onde resolveram banhar-se. O que havia sido esbofeteado e magoado começou a afogar-se, sendo salvo pelo amigo. Ao recuperar-se, pegou um canivete e escreveu em uma pedra:


Hoje meu melhor amigo salvou minha vida.

Intrigado, o amigo perguntou:

- Por que, depois que te magoei, escreveste na areia e agora, escreves na pedra?

Sorrindo, o outro amigo respondeu:

Quando um grande amigo nos ofende, devemos escrever onde o vento do esquecimento e o perdão se encarreguem de borrar e apagar a lembrança. Por outro lado, quando nos acontece algo de grandioso, devemos gravar isso na pedra da memória e do coração onde vento nenhum em todo o mundo poderá sequer borrá-lo.




A Felicidade.





Era uma vez um pobre pescador e sua mulher. Eram pobres, muito pobres. Moravam numa choupana à beira-mar, num lugar solitário. Viviam dos poucos peixes que ele pescava. Poucos porque, de tão pobre que era, ele não possuía um barco: não podia aventurar-se ao mar alto, onde estão os grandes cardumes. Tinha de se contentar com os peixes que apanhava com os anzóis ou com as redes lançadas no raso. Sua choupana, de pau-a-pique era coberta com folhas de palmeira. Quando chovia a água caía dentro da casa e os dois tinham de ficar encolhidos, agachados, num canto.
Não tinham razões para serem felizes. Mas, a despeito de tudo, tinham momentos de felicidade. Era quando começavam a falar sobre os seus sonhos. Algum dia ele teria sorte, teria uma grande pescaria, ou encontraria um tesouro - e então teriam uma casinha branca com janelas azuis, jardim na frente e galinhas no quintal. Eles sabiam que a casinha azul não passava de um sonho. Mas era tão bom sonhar! E assim, sonhando com a impossível casinha azul, eles dormiam felizes, abraçados.
Era um dia comum como todos os outros. O pescador saiu muito cedo com seus anzóis para pescar. O mar estava tranqüilo, muito azul. O céu limpo, a brisa fresca. De cima de uma pedra lançou o seu anzol. Sentiu um tranco forte. Um peixe estava preso no anzol. Lutou. Puxou. Tirou o peixe. Ele tinha escamas de prata com barbatanas de ouro. Foi então que o espanto aconteceu. O peixe falou. "Pescador, eu sou um peixe mágico, anjo dos deuses no mar. Devolva-me ao mar que realizarei o seu maior desejo..." O pescador acreditou. Um peixe que fala deve ser digno de confiança. "Eu e minha mulher temos um sonho", disse o pescador. "Sonhamos com uma casinha azul, jardim na frente, galinhas no quintal... E mais, roupa nova para minha mulher..."
Ditas estas palavras ele lançou o peixe de novo ao mar e voltou para casa, para ver se o prometido acontecera. De longe, no lugar da choupana antiga, ele viu uma casinha branca com janelas azuis, jardim na frente, e galinhas no quintal e, à frente dela, a sua mulher com um vestido novo - tão linda! Começou a correr e enquanto corria pensava: "Finalmente nosso sonho se realizou! Encontramos a felicidade!"
Foi um abraço maravilhoso. Ela ria de felicidade. Mas não estava entendendo nada. Queria explicações. E ele então lhe contou do peixe mágico. "Ele me disse que eu poderia pedir o que quisesse. E eu então me lembrei do nosso sonho..." Houve um momento de silêncio. O rosto da mulher se alterou. Cessou o riso. Ficou séria. Ela olhou para o marido e, pela primeira vez, ele lhe pareceu imensamente tolo: "Você poderia ter pedido o que quisesse? E por que não pediu uma casa maior, mais bonita, com varanda, três quartos e dois banheiros? Volte. Chame o peixe. Diga-lhe que você mudou de idéia."
O marido sentiu a repreensão e sentiu-se envergonhado. Obedeceu. Voltou. O mar já não estava tão calmo, tão azul. Soprava um vento mais forte. Gritou: "Peixe encantado, de escamas de prata e barbatanas de ouro!" O peixe apareceu e lhe perguntou: "O que é que você deseja?" O pescador respondeu "Minha mulher me disse que eu deveria ter pedido uma casa maior, com varanda, três quartos e dois banheiros!" O peixe lhe disse: "Pode ir. O desejo dela já foi atendido." De longe o pescador viu a casa nova, grande, do jeito mesmo como a mulher pedira.
"Agora ela está feliz", ele pensou. Mas ao chegar à casa o que ele viu não foi um rosto sorridente. Foi um rosto transtornado. "Tolo, mil vezes tolo! De que me vale essa casa nesse lugar ermo, onde ninguém a vê? O que eu desejo é um palacete num condomínio elegante, com dois andares, muitos banheiros, escadarias  de mármore, fontes, piscina, jardins. Volte! Diga ao peixe desse novo desejo!"
O pescador, obediente, voltou. O mar estava cinzento e agitado. Gritou: "Peixe encantado, de escamas de prata e barbatanas de ouro!" O peixe apareceu e lhe perguntou: "O que é que você deseja?" O pescador respondeu "Minha mulher me disse que eu deveria ter pedido um palacete num condomínio elegante..." Antes que ele terminasse o peixe disse: "Pode voltar. O desejo dela já está satisfeito."
Depois de muito andar - agora ele já não morava perto da praia -  chegou à cidade e viu, num condomínio rico, um palacete tal e qual aquele que sua mulher desejava. "Que bom", ele pensou. "Agora, com seu desejo satisfeito, ela deve estar feliz, mexendo nas coisas da casa." Mas ela não estava mexendo nas coisas da casa. Estava na janela. Olhava o palacete vizinho, muito maior e mais bonito que o seu, do homem mais rico da cidade. O seu rosto estava transtornado de raiva, os seus olhos injetados de inveja.
"Homem, o peixe disse que você poderia pedir o que quisesse. Volte. Diga-lhe que eu desejo um palácio de rainha, com salões de baile, salões de banquete, parques, lagos, cavalariças, criados, capela."
O marido obedeceu. Voltou. O vento soprava sinistro sobre o mar cor de chumbo. "Peixe encantado, de escamas de prata e barbatanas de ouro!" O peixe apareceu e lhe perguntou: "O que é que você deseja?" O pescador respondeu "Minha mulher me disse que eu deveria ter pedido um palácio com salões de baile, de banquete, parques, lagos..." "Volte!", disse o peixe antes que ele terminasse. "O desejo de sua mulher já está satisfeito."
Era magnífico o palácio. Mais bonito do que tudo aquilo que ele jamais imaginara. Torres, bosques, gramados, jardins, lagos, fontes, criados, cavalos, cães de raça, salões ricamente decorados... Ele pensou: "Agora ela tem de estar satisfeita. Ela não pode pedir nada mais rico."
O céu estava coberto de nuvens e chovia. A mulher, de uma das janelas, observava o reino vizinho, ao longe. Lá o céu estava azul e o sol brilhava. As pessoas passeavam alegremente pelo campo.
"De que me serve este palácio se não posso gozá-lo por causa da chuva? Volte, diga ao peixe que eu quero ter o poder dos deuses para decretar que haja sol ou haja chuva!"
O homem, amedrontado, voltou. O mar estava furioso. Suas ondas se espatifavam no rochedo. "Peixe encantado, de escamas de prata e barbatanas de ouro!" - ele gritou. O peixe apareceu. "Que é que sua mulher deseja?", ele perguntou. O pescador respondeu: "Ela deseja ter o poder para decretar que haja sol ou haja chuva!"
O peixe falou suavemente. "O que vocês desejavam era felicidade, não era?" "Sim", respondeu o pescador. "A felicidade é o que nós dois desejamos." " Pois eu vou lhes dar a felicidade!" O pescador riu de alegria. "Volte", disse o peixe. "Vá ao lugar da sua primeira casa. Lá você encontrará a felicidade..." E com estas palavras desapareceu.
O pescador voltou. De longe ele viu a sua casinha antiga, a mesma casinha de pau-a-pique coberta de folhas de coqueiro. Viu sua mulher com o mesmo vestido velho. Ela colhia verduras na horta. Quando ela o viu veio correndo ao seu encontro. "Que bom que você voltou mais cedo", ela disse com um sorriso. "Sabe? Vou fazer uma salada e sopa de ostras, daquelas que você gosta. E enquanto comemos, vamos falar sobre a casinha branca com janelas azuis...E depois vamos dormir abraçados" .
Ditas essas palavras ela segurou a mão do pescador enquanto caminhavam, e foram felizes para sempre.